Ethos
Entregar o corpo aos sussurros do vento e à escuridão da noite. Esticar os dedos para alcançar um fiapo de esperança enquanto afundo da cintura para baixo no movediço. Amolecer os ombros e se deixar cair à terra-mãe, buscando um aconchego fetal por entre as folhas secas. Se nada silencia aqui dentro, por que insisto em trancar os lábios e esconder a revolta? De só piscar os olhos, ou cruzar os dedos, ou sorrir sem jeito e ainda parecer sincera. Eu minto quando alguém não sabe o porquê das rachaduras em meus lábios ou o corte curto de cabelo. E não há quem descubra minha faceirice. Encara estes meus arranhões e mira bem este meu pesar: Eu tenho as íris de quem é paz, meu bem? Sei que busco, mas ser é mito. Meus cotovelos são escuros e ninguém repara naquele corte que é signo da minha mais evoluída arte. Enxergar em pleno breu é dom e eu aprendi a lidar com o dilatar de pupilas desde cedo, quando ainda sabia fabricar assobios puxando o ar para dentro dos pulmões e tinha fé nas linhas da palma da minha mão. E, apesar de eu não saber mais como transformar o ar em notas, meu M continua a ser cortado por um quarto traço inquietante. Coisa de quem decodifica demais e descobre ou supõe encriptações em tudo? Talvez, talvez. Ainda sou caos buscando abrigo e compaixão. Ou entendimento. O x é que não possuo manual e o y é minha falta de habilidade em compartilhar. Ponto zero. Pés em rota morta. Confidência: Do jazigo conto vinte e sete passos até minha cama. E só você sabe da minha numerologia ridícula. Mas as minhas anotações são cada vez mais frívolas e eu já desconfio da minha atual condição incapaz de teletransportar e traduzir o terceiro olho: Sem nirvana, vive como centro de furacão. Os céus me ouvem e chove. Sou como quem se perde na praça e, no banco mal cuidado, abraça os joelhos imaginando uma casa que só há na imaginação e um cuidado que vem do próprio interior. Eu rezo e minha prece retorna como eco aos meus ouvidos: que esse meu ímpeto não desapareça com o passar dos anos e suas seis horas invisíveis. Ainda que eu prossiga sem lar, corrompida, inábil. Que seja. Essência é aceitamento, e eu abro os braços perante minha confusão.
Chasing Cars | Natasha Bedingfield (Snow Patrol Cover)
- my dad: (yelling at the tv)
- me: you're yelling like the players are actually gonna listen to you.
- my dad: you're in love with a boy that doesn't even know you exist.
- me:
- me: don't talk to me
3/50 pictures of Paramore on Stage - Live in Birmingham, AL - March 28, 2008 (by Ryan Russell)





